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Aspectos culturais, econômicos e sociais vêm mudando os hábitos das pessoas e revelado fortes tendências, que, se bem aproveitadas, podem trazer vantagem competitiva às revendas agrícolas.


13 de abril de 2016

O agronegócio vem se transformando de forma acelerada, acompanhando a revolução digital e de informação. No nosso segmento mais especificamente, em poucas décadas, pudemos constatar a rápida corrida dos distribuidores agrícolas pela profissionalização, procurando oferecer mais do que a venda de produtos para o campo, buscando diferenciação.

Aspectos culturais, econômicos e sociais vêm mudando os hábitos das pessoas e revelado fortes tendências, que, se bem aproveitadas, podem trazer vantagem competitiva aos distribuidores e revendas agrícolas.
Separamos três destas tendências e suas implicações no negócio revenda.

 

01) Busca por uma alimentação mais saudável

Com a crescente busca por um modelo de vida mais saudável, a alimentação natural, livre de conservantes e fresca tem ganhado destaque nos lares e restaurantes, não só do Brasil como de todo o mundo.
Seguindo esta inclinação, apesar do ainda pequeno percentual de áreas cultivadas e, sobretudo, pela forte campanha feita pelos ambientalistas, nunca se prestigiou tanto os alimentos orgânicos.

Percebendo a súbita valorização destes alimentos, é crescente o número de produtores interessados neste modelo. Na América do norte, dados recém-divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportam um crescimento recorde no número de operações de produção orgânica. E o Brasil não depõe o contrário: de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, entre janeiro de 2014 e janeiro de 2015, a quantidade de agricultores que optaram pela produção orgânica passou de 6.719 para 10.194, um aumento de 51,7%. Hoje, já são mais de 700 mil hectares destinados à plantação de produtos orgânicos no Brasil, sendo o Sudeste o terceiro Estado onde se faz mais presente, atrás apenas do Nordeste e do Sul, nesta ordem.

A crescente demanda pode ser aproveitada oferecendo serviços específicos para os produtores de orgânicos, levando em consideração que estes alimentos são produzidos em menor escala, levam mais tempo para serem colhidos e necessitam de mais mão-de-obra. Além disso, existem diversos produtos fitossanitários que podem ser vendidos para a agricultura orgânica, aprovados pelo MAPA, que poderiam complementar o portfólio de produtos convencional.


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02) Busca pela Ecoeficiência

Falar sobre sustentabilidade é mais do que constatar uma tendência: é questão de sobrevivência para todo e qualquer modelo de negócio busque vantagens competitivas. Afinal, nenhum negócio é estabelecido para durar poucos anos, e sim para manter-se rentável por muito tempo. O desenvolvimento sustentável visa atender as necessidades das gerações do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atender as suas próprias necessidades.

Principalmente em tempos de crise, destacam-se as empresas que conseguem fazer mais com menos, não só pelo reconhecimento da sociedade, mas por que vale a pena,  também, economicamente. É a chamada ecoeficiência, estratégia de gestão que combina o desempenho ambiental ao econômico, característica dos que produzem mais e melhor, com menos uso de recursos e menos resíduos para o ambiente.

Na prática, percebemos na agricultura e na pecuária que temos cada vez menos espaço físico disponível para o cultivo e a criação, mais áreas protegidas ambientalmente e um número cada vez maior de pessoas para alimentar. Essa equação só será possível de solucionar utilizando cada vez mais tecnologia aliada às boas práticas, a fim de elevar a produtividade. E esse é um papel que as revendas já vêm assumindo junto ao produtor: o da transferência de tecnologia e da assistência técnica no campo.

 

03) O campo invadindo as cidades

Na busca por economia e mais sabor, notamos nos últimos anos o forte resgate do ato de plantar em casa, ou a aquisição de produtos cultiváveis em residências. É comum hoje ter (ou conhecer alguém que tenha) em casa uma pequenina horta, muitas vezes cultivadas dentro de apartamentos. Isto é possível graças à grande quantidade de informações disponíveis, principalmente online, sobre o assunto, aliada à simplicidade da prática.

Tendência nos EUA, mas ainda inexistente no Brasil, outro exemplo da invasão da cidade pelo campo são as novas comunidades planejadas chamadas de “agrihoods”. Trata-se de empreendimentos residenciais que tem como diferencial integrarem ao projeto fazendas comunitárias de agroecologia. Existem atualmente cerca de 200 deles em todo os EUA. Com o argumento da sustentabilidade e de que a distância encarece e tira o frescor dos alimentos, este modelo têm atraído milhares de adeptos e promete se espalhar por outros países. Veja o vídeo da Cannery, uma destas comunidades (em inglês):

 

Pode-se pensar nesses pequenos mercados como nichos a serem explorados. Além disso, a tendência de trazer um pouco do campo para a cidade reflete na aproximação das pessoas do alimento, da terra. Este contato gera melhor compreensão da importância da produção de alimentos e do agronegócio, em si, provocando uma mudança positiva na imagem do setor como um todo.

Artigo: Adiaesp