mulheres na agricultura

Sobretudo no ano de 2018, muito ouviu-se falar da participação feminina no agronegócio. Confira no informativo dados e estatísticas que comprovam este cenário

26 de novembro de 2018

2018 foi o ano delas. A sociedade enfim prestou atenção ao crescimento da participação feminina no mercado de trabalho, na liderança das empresas e na influência que têm demonstrado em todos os âmbitos. Apesar de todos os olhos terem se voltado para as mulheres, não tem sido fácil o percurso.

Ainda que em marcha lenta, ao longo das últimas décadas, diversas transformações culturais e sociais ocorridas na sociedade brasileira resultaram no aumento da participação da mulher no mercado de trabalho, chegando a 40% em 2015, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD – IBGE).

No agronegócio, onde sempre predominou a mão de obra masculina, a participação da mulher também cresceu, de 24,11% em 2004 para 27,97% em 2015, ou seja, 8,3% no período, enquanto a dos homens caiu 11,3% na mesma comparação, de acordo com dados do CEPEA.

De acordo com o estudo, elas não estão no campo, e sim na cidade (em 80,94% dos registros), o que é compatível com a estrutura do mercado de trabalho verificado no levantamento, onde predominam os empregos agroindustriais e de serviços (79,4%) em relação aos empregos agropecuários (20,6%).

Hoje, as mulheres buscam cada vez mais profissionalização, desde a formação acadêmica, até à educação especializada, mestrados, doutorados ou cursos de conhecimento aplicado. O espaço para a profissionalização da mulher no mundo do agronegócio foi ampliado, e é possível encontrar cursos, inclusive, focados na atuação feminina.

Ainda de forma tímida, este fator, entre outros, faz com que estejam também ganhando a liderança nas empresas. Uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta 34% de participação feminina em cargos gerenciais no agronegócio. Os dados foram apresentados por Ana Cerasoli, diretora de Marketing da Corteva Agriscience, durante o 3º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (evento realizado em outubro deste ano, marcado pela participação de mais de 1.500 pessoas).

Corroborando com os dados apresentados pela FGV, um estudo realizado pela ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio), em 2017, demonstrou a ascendência das mulheres. O estudo entrevistou 862 mulheres, divididas em três categorias: antes da porteira (serviços que atendem a fazenda), dentro (produtoras em geral) e depois da porteira (atividades relacionadas ao comércio e industrialização). O ponto mais importante é que a maioria dessas empreendedoras do agro respondeu ocupar postos de liderança: 59,2% das respondentes eram proprietárias ou sócias e 10,4% eram diretoras, gerentes, coordenadoras ou administradoras.

Em um ambiente ainda muito masculino, as mulheres enfrentam obstáculos. De acordo com a pesquisa, apesar de a maioria ter respondido que não enfrenta problemas para liderar pelo fato de ser mulher (61,1%), o restante relatou interferências: 44,2% sentiram preconceito sutil; 30% acusaram preconceito evidente; 9,4% destacou que não foi levada a sério; 8% afirmou que sentiu desconfiança de outras pessoas com relação a sua habilidade no cargo; 11,7% perceberam dúvida do seu conhecimento; e 8,8% notaram desconfiança em relação a sua capacidade de negociar.

Apesar do histórico desequilíbrio de gêneros, o fato é que a atuação feminina já é uma realidade. Ganhar o respeito dos homens do agronegócio não é uma tarefa fácil, mas tem se mostrado possível. Com o movimento dos últimos anos, a tendência é de que uma nova geração de líderes mulheres chegue com mais força no mercado de trabalho na próxima década. E preparem-se. Elas vêm com tudo!

Referências:

https://www.cepea.esalq.usp.br/upload/kceditor/files/Mulheres%20no%20agro_FINAL.pdf

http://www.abag.com.br/media/informativos/informativoabag-108-1-7-ilovepdf-compressed–2-.pdf

http://www.mulheresdoagro.com.br/